Crônica
COISAS QUE NUNCA DISSE
Dra. Solange Canavarro
Quando me pediram que fizesse a crônica desta revista, percebi que este será o último número desta gestão. Daí, diante da possibilidade desta também ser a última crônica que escrevo neste espaço, me bateu uma aflição, um medo de ter deixado escapar a oportunidade de dizer coisas importantes. Será que consegui transmitir a todos a necessidade de amar nossa profissão? Será que cheguei a dizer que essa minha obsessão pela prática científica se deve a este amor que possuo? Será que deixei claro como fiquei grata pela calorosa acolhida dos colegas a essas minhas “mal traçadas linhas”?
Portanto, decidi que esta crônica servirá para dizer coisas que nunca disse. Na verdade, tenho umas confissões a fazer. Quem me conhece, sabe que tenho o mau hábito de ser muito exigente com as pessoas (ooops, meus estagiários que o digam!), sou extremamente perfeccionista e, talvez por isso, muito crítica tanto em relação a mim como aos outros.
Assim começa a história que vou contar. Há quatro anos, logo após as festas de Ano Novo, minha amiga Rita Vereza ligou para minha casa me convidando a integrar uma chapa para concorrer ao CREFITO-2. Fiquei na dúvida, mas aceitei por pensar que devia isso à Fisioterapia. Afinal, devo a ela meu pão de cada dia...
Uma semana depois estávamos reunidos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, traçando estratégias para concorrer ao pleito. Daquelas 18 pessoas, posso dizer que conhecia apenas cinco... fiquei meio desconfiada pois a responsabilidade era grande e ninguém poderia me garantir que conseguiríamos chegar ao fim com a mesma dignidade com que começamos.
O fato é que quando nos elegemos e começamos a trabalhar juntos, fiquei cada vez mais certa de que nosso encontro deveu-se à Providência Divina – eu, sempre tão cética, achava que a probabilidade de juntar 18 pessoas bem intencionadas e capazes de levar à frente um Conselho Regional era quase nula. Mas... enganei-me redondamente (graças a Deus!). A cada dia eu me admirava com a inteligência política e capacidade de trabalho destas pessoas!!!
Hoje, me despeço desta gestão com o coração agradecido por me ter sido dada esta grande oportunidade de aprender com meus colegas. Estou um pouco mais humilde e mais sábia também. E, acima de tudo, estou feliz por ter participado deste momento histórico das nossas profissões. Quantas lutas!!! Quanto choro, quanto riso!!!! Muitos beijos de feliz aniversário trocados. Muitos parabéns cantados ao telefone em meio à papelada. Muitos abraços nos momentos difíceis... muitas alegrias pelas vitórias. É disso que é formado um colegiado de pessoas voltadas para um objetivo comum. Pessoas que às vezes brigam feio umas com as outras (e como isso me assusta!). Mas que nunca esquecem do objetivo pelo qual lutam. Pessoas que às vezes são tão duras na avaliação de nossas ações que nunca nos permitiram acomodar. Obrigada pela eterna vigilância! Aprendi muito com vocês!
Então, esta crônica é de agradecimentos a todos os que me impulsionaram. Aos colegas de Colegiado, com sua enorme generosidade, sempre me atribuindo mais talentos do que eu realmente tinha. Aos queridos colegas fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais que sempre foram tão generosos comigo (quantas vezes recebi abraços e cumprimentos de pessoas que de alguma forma se identificaram com as coisas que escrevi. Obrigada, vocês nem sabem quanto isso foi importante para mim!). E finalmente, agradeço à querida Rita Vereza, que sempre confia em minha capacidade mais do que eu mesma consigo fazê-lo.
Aos colegas e leitores queridos, meu carinhoso adeus e um beijo agradecido no coração de vocês!