Sede
dos Jogos Pan e Parapan-americanos, o Rio de
Janeiro foi palco também do Mundial de
Futebol de 7 (para atletas com paralisia cerebral),
disputado entre os dias 04 e 17 de dezembro,
no Complexo Esportivo de Deodoro. Durante duas
semanas, atletas de diversos países mostraram
para o mundo que a força de vontade e
a determinação são capazes
de diminuir as diferenças.
Diante de uma belíssima estrutura –
herdada do próprio Parapan, as seleções
deram um show de futebol. Algumas vezes era
impossível perceber que os jogadores
eram portadores de deficiência.
“Eles mostram superação.
E a gente reclama quando tem algum probleminha...”,
compara o torcedor Roland Cavalcante.
Mesmo em um número pequeno, a torcida
não parava de incentivar a equipe brasileira,
ouro nos Jogos Parapan-americanos. Porém,
a nossa seleção teve que se contentar
com o quarto lugar. Após perder na semifinal
para o Irã por 5 a 4, o Brasil não
conseguiu vencer os ucranianos, atuais campeões
Paraolímpicos, na disputa pelo 3o lugar.
“O Brasil lutou muito, mas não
deu. O adversário jogou com uma raça
fora do comum”, lamenta o zagueiro Leandro
Marinho, capitão e uma das estrelas do
time.
Presença
marcante da Fisioterapia
Quem estava visivelmente chateada com a derrota
do Brasil era a fisioterapeuta da seleção,
Dra. Márcia Fernandes. Segundo ela, a
falta de estrutura e divulgação
ainda são problemas que precisam ser
resolvidos a tempo dos Jogos Paraolímpicos
de Pequim, no ano que vem, para o qual o Brasil
já está classificado.
“Falta uma estrutura melhor. A Ucrânia
possui até um centro de treinamento,
enquanto nós treinamos no Aterro do Flamengo.
Além disso, precisamos muito de divulgação.
O atacante Wanderson Oliveira, por exemplo,
apareceu do nada durante um treino e entrou
para o time. Assim como ele devem existir muitos
talentos espalhados pelo Brasil que desconhece
a modalidade”, afirma.
O Mundial de Futebol de 7 contou também
com diversos estudantes de Fisioterapia que
trabalharam como voluntários. Como é
o caso de Carla Freire, Daniele Ferreira, Daiany
Simonaci e Gláucio Monteiro, ambos da
Universidade Castelo Branco. Para eles, foi
uma oportunidade muito marcante.
“Foi uma experiência muito valiosa,
que vai para a vida toda”, conta Daniele.
“Estar aqui é muito bom, pois abre
um leque de opções para mim”,
diz Gláucio.
A Rússia acabou campeã do torneio
ao vencer o Irã por 2 a 1. Mas o resultado
pouco importava: a vitória já
foi conseguida pelos atletas de todas as seleções
antes mesmo de entrarem em campo.
Nota:
Apoiaram o evento o Comitê Paraolímpico
Brasileiro (CPB), a Associação
Nacional de Desporto para Deficientes (Ande),
o Programa de Voluntários do Sesc, além
de empresas como a Unimed, Cedae e Caixa.
2007
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