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  A PATOLOGIA DO TRABALHO E O FISIOTERAPEUTA

ERIMILSON ROBERTO PEREIRA CREFITO 2 - 19941F

A revisão da história da saúde do trabalhador mostra referências aos perigos e riscos ocupacionais:

Hipócrates, quatro séculos antes de Cristo, fez referência à existência de doenças entre mineiros. Galeno, no século II, fez menção à doença ocupacional entre trabalhadores das ilhas do Mediterrâneo.

Agrícola, em 1556, estudou diversos problemas relacionados à extração de minerais e à fundição de prata e ouro dando destaque à chamada "asma dos mineiros".

Em 1697 Paracelso escreveu sobre os principais sintomas da intoxicação por mercúrio.

Mas a contribuição de notável repercussão mundial foi o livro de Bernardo Ramazzini (1633-1714). Sua obra publicada em 1700 tratava de dezenas de profissões e seu vínculo com as doenças e rendeu-lhe o título de "Pai da Medicina do Trabalho". Relatou que os profissionais que trabalhavam sentados(sapateiros, alfaiates e notários) sofriam doenças decorrentes de posições viciosas e da falta de exercício. Sobre os escribas e os notários (distinguidos pela arte de escrever com velocidade) destacou três causas de doenças: vida sedentária,
contínuo movimento repetitivo da mão e atenção mental para não manchar os livros. Sobre estes acometimentos, Ramazzini afirmou : "em primeiro lugar, que se empenhem em corrigir os males provocados pela vida sedentária com exercícios corporais moderados e fricção"( RAMAZZINI apud POI e TAGLIAVINI, 1998, p.8)1 .

Será que os fisioterapeutas conseguem perceber que Ramazzini fez recomendações de cinesioterapia e massoterapia ?

A Revolução Industrial trouxe grande impacto à saúde dos trabalhadores. Desta forma, os acidentes graves, mutilantes e fatais acometeram homens, mulheres e crianças pois os ambientes de trabalho eram agressivos ao conforto e à saúde devido ao trabalho penoso, perigoso e desenvolvido em extensas jornadas de trabalho. O elevado índice de acidentes fez com que políticos e legisladores introduzissem medidas de controle em ambientes de trabalho.

Em 1864 a Sociedade Médica de Berlim diferencia o uso dos exercícios aplicados no tratamento de enfermos dos usados em pessoas saudáveis.

Observa-se que o corpo de conhecimentos ou as formas de trabalho que mais tarde caracterizariam a Fisioterapia estavam se destacando como forma tratamento de doenças.

No início do século XX as condições de trabalho eram insalubres e as doenças infecto contagiosas tinham grande incidência.

As duas grandes guerras mundiais foram responsáveis pela extermínio de grande parte da população, principalmente masculina, de muitos países. O processo de reconstrução, principalmente da Europa foi penoso. Haviam muitos mutilados que precisavam retornar ao trabalho e os "serviços de reabilitação" ganharam grande importância.

à partir da década de 70, aproximadamente, deu-se início a terceirização da economia, o forte incremento à automação e à informatização. Todo este avanço tecnológico promoveram o deslocamento do perfil da mão de mortalidade e morbidade causados pelo trabalho. Assim, houve a diminuição das doenças profissionais clássicas e o aumento das doenças cardiovasculares, distúrbios mentais, estresse, câncer, intoxicação e doenças músculo esqueléticas.

Atualmente a esfera de ação do Fisioterapeuta é incalculável, porquanto foi capaz de sair da reabilitação ou limitação da doença e partir para o tratamento e mais recentemente para a prevenção propriamente dita. O Fisioterapeuta percebeu que não basta apenas tratar, mas também observar o vínculo da enfermidade com as atividades da vida diária e profissional, ou seja, estabelecer um vínculo entre a causa e o efeito, entre o perigo e o risco. E o melhor lugar para tratar de um trabalhador é em seu próprio local de trabalho. Considerando-se que a grande maioria das doenças ocupacionais são elegíveis para tratamento fisioterapêutico, este profissional pode e deve contribuir para minimizar as doenças profissionais. E certamente são múltiplas as formas que o Fisioterapeuta pode atuar dentro das empresas: ambulatórios de Fisioterapia, escolas de posturas, cursos e palestras de conscientização e treinamento, cinesioprofilaxia, avaliações posturais, exames cinético funcionais periódicos e intervenção ergonômica (corretiva e preventiva). Eis o perfil do Fisioterapeuta do Trabalho.

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POI,W,TAGLIAVINI,R. Prevenção de doenças ocupacionais em Odontologia. São Paulo: Santos, 1998.

BIBLIOGRAFIA

MENDES, R. Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu.1995. PEREIRA, E. Fundamentos de Ergonomia e Fisioterapia do Trabalho. Rio de Janeiro: Taba Cultural,2001. POI,W, TAGLIAVINI, R. Prevenção de doenças ocupacionais em Odontologia. São Paulo: Santos.1998.